perdeu o juízo num só gole. não pôde nem dizer: ah, foi a
cerveja a dona da culpa. que não foi. culpa já tinha de sobra, só não sabe se
era por sentir desejos tão irrealizaveis, ou se era de tê-los encoberto tanto
com tanta roupagem. pois que foram diluídas tantas amarras, até que se abrisse
o fundo e deixasse supurar inflamadas as suas vontades genuínas. e gostaria de
dizer hoje, na ressaca, de sua imensa satisfação de deixar-se vazar. só que
não. acorda com um sentimento de incongruência, cada flash de memória vem como
chicoteada. açoitada das próprias proibições fica pedindo desculpas não se sabe
pra quem, e as bochechas, não que tenham notado, iam ficando rosáceas nos
encontros com os olhares dos outros. fica se perguntando quem é que fora
naquela noite de ontem, como se tudo tivesse acontecido milênios atrás, numa
época em que os seus desejos eram pura barbárie. esta correta, de certa forma,
de dizer que os seus desejos eram bárbaros, de senti-los como habitantes rudes
e desconhecidos. mas seria bom começar a repensar o quanto é que precisavam
mesmo ser civilizados.
sexta-feira, 7 de junho de 2013
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