segunda-feira, 10 de junho de 2013

o segundo casamento de um velho amigo e as provas do passar do tempo uma vez mais se mostram irrevogáveis. todo dia que faz avante o cotidiano deixa algumas pistas não muito claras de que a vida segue adiante, inexorável. mas o segundo casamento de um velho amigo é menos sutil que uma pista. é uma prova concreta, é o cabelo no tapete do local do crime. quando meu primeiro grande amigo se casou eu ainda poderia dizer que era só um caso particular, afinal esse cara sempre conquistou as coisas tão rapidamente na vida, nem trinta anos e um doutor, tratou-se obviamente de um caso à parte. se dessa primeira vez eu consegui silenciar a fatídica temporalidade existencial pela excepcionalidade do caso, agora eu teria de fazer mais esforço. teria de fazer, mas não farei. seria idiota persistir em tornar silenciosa a minha história, quando é justo o tempo que torna a vida cada vez mais extensa, e me deixa com um espírito cada vez mais largo.

vou me contradizer agora, e não espero que seja compreensível. mas não tenho tanta certeza dentro de mim de que o tempo passe de fato, nem mesmo com essa prova aparentemente irrevogável. pois que ao ver meu amigo casar e por força da ocasião todos os meus grandes amigos reunidos, os vi de mesma maneira que os olhava a mais de dez anos atrás. tenho a sensação de que ficamos repetindo, feito um disco de vinil sendo explorado pela agulha, mudando a música sem sair do lugar. mas isso parece tão absurdo que talvez eu esteja só teimando que o tempo não passe.  perdão pela reflexão displicente e não muito bem argumentada.

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